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07.07.09



Análise histórica sobre o filme “Nós que aqui estamos por vós esperamos”.

Por Flávia Arielo

Professora Flávia Arielo

“Nós que aqui estamos por vós esperamos” busca introduzir o espectador na breve historia do século XX. Talvez nem tão breve assim, mas trata-se da intensidade deste século, de suas transformações e permanências.
O filme de Marcelo Masagão é um grande aliado no trabalho do historiador. Pode-se até mesmo resumi-lo como o próprio oficio do historiador. Os fatos são lançados à imagem e cabe a quem assiste julgá-los ou não. O filme-documentário parte do micro para o macro: através de pequenos personagens situa grandes fatos. A análise lançada por Masagão pressupõe a banalização da morte em detrimento da vida; todas as imagens lançadas aos olhos estagnam-se na frase “Nós que aqui estamos por vós esperamos”. Mas não se trata de um filme pessimista, ao passo que no decorrer da película o autor nos propõe uma saída: a arte. Esta se encontra amplamente difundida no filme, fazendo menção não só a pintores, mas também aos sonhos dos homens, os quais sendo reprimidos libertam-se através da arte.

Sem dúvida alguma este é um filme histórico. Contém fatos e datas assim como pressupõe a chamada linha positivista; mas não apenas a isto se prende o enredo e sim à linha ideológica a qual se firma o autor. Já logo de inicio apresenta-se a proposta: “Freud e a rainha”. Ou seja, Freud e a memória, filha direta da história. O enredo fílmico é traçado sob um perfil psicanalítico e onírico, reforçado pela bela trilha sonora. A memória, a qual Freud postula como sendo seletiva, descarta aquilo que a incomoda, ou seja, o insuportável. Dessa forma, o que comumente é lembrado e fixado é a historia factual e dos grandes acontecimentos, deixando de lado a história dos menores.

A segunda linha teórica percebida seria a de Eric Hobsbawm e sua micro-história. Dentre as personagens citadas, a ênfase é dada aos pequenos, aos desconhecidos, mas nem menos importantes homens. Nem só de grandes personalidades vive a história. As guerras foram feitas por Hitlers, Stalins, Pinochets e todos aqueles que delas participaram: os Joãos, os Josés e as Marias. É partindo da micro-história que se chega à macro. Desta micro-história também fazem parte as mulheres, citadas honrosamente pelo diretor.

Ao século XX pode-se dar muitos nomes: A Era da modernização, da industrialização, da comunicação, da relatividade, das grandes guerras, da solidão, do avanço tecnológico, da paranóia, enfim, uma Era dos Extremos. Este século caracteriza-se - diferentemente dos anteriores - por colocar em prática as teorias filosóficas, biológicas, econômicas e sociais. Logo no início do filme o diretor propõe estas mudanças, caracterizando-as através das imagens de Freud, Einstein, Ford e outros.

A postura da humanidade é proposta através da narrativa da película, ou seja, da música de fundo e de sua ausência em determinados momentos. O silêncio utilizado pelo autor é propositalmente disposto à exaltação da imagem.

Sobre o século XX pode-se afirmar a predominância da macro-história, em detrimento da micro-história, fundamentada na imagem do cemitério. A crítica do filme gira especificamente em torno desta questão. Em suma: não existiriam grandes histórias sem os pequenos personagens.

(*) Flávia Arielo é professora de história e sociologia na Escola do Seminário

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