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14.12.09



Desatenção, hiperatividade e
impulsividade: você já sentiu isto?

Frei Cleiton José Senem, ofm (*)

Frei Cleiton Senem

Nos últimos anos, tem-se ouvido muito falar sobre várias novas psicopatologias ligadas a distúrbios de aprendizagem, tais como: dislexia, discalculia, disortografia, e uma das mais famosas é o TDHA (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade). Temos encontrando muitos professores ou mesmo outros profissionais emitindo diagnósticos apressados e sem conhecimento das causas do TDAH. Para tanto, venho através deste pequeno artigo, divido em duas partes, trazer algumas informações importantes, tanto para os docentes quanto para os discentes que são acometidos ou precisam lidar com esse distúrbio.

Apesar do grande número de estudos já realizados, as causas precisas do TDAH ainda não são conhecidas. Entretanto, a influência de fatores genéticos e ambientais no seu desenvolvimento é amplamente aceita na literatura. A contribuição genética é substancial; assim como ocorre na maioria dos transtornos psiquiátricos, acredita-se que vários genes de pequeno efeito sejam responsáveis por uma vulnerabilidade (ou suscetibilidade) genética ao transtorno, à qual se somam diferentes agentes ambientais. Embora caracterizado por sintomas de desatenção, hiperatividade e impulsividade, o TDAH é uma patologia bastante heterogênea.

Agentes psicossociais que atuam no funcionamento adaptativo e na saúde emocional geral da criança, como desentendimentos familiares e presença de transtornos mentais nos pais, parecem ter participação importante no surgimento e manutenção da doença, pelo menos em alguns casos. Alguns teóricos encontraram uma associação positiva entre algumas adversidades psicossociais (discórdia marital severa, classe social baixa, família muito numerosa, criminalidade dos pais, psicopatologia materna e colocação em lar adotivo) e o TDAH.

Uma contribuição genética substancial no TDAH é sugerida pelos estudos genéticos clássicos. Numerosos estudos de famílias já foram realizados com o TDAH, os quais mostraram consistentemente uma recorrência familial significante para este transtorno. O risco para o TDAH parece ser de duas a oito vezes maior nos pais das crianças afetadas do que na população em geral.

Evidências mais fortes da herdabilidade do TDAH são fornecidas pelos estudos com adotados, uma vez que estes conseguem distinguir melhor efeitos genéticos de efeitos ambientais. Pesquisas iniciais com adotados encontraram uma freqüência significativamente maior de TDAH entre os pais biológicos de crianças afetadas do que entre os pais adotivos.

Nos últimos anos, um interesse crescente vem surgindo em relação aos estudos de genética molecular no TDAH. O principal alvo dessas pesquisas são genes que codificam componentes dos sistemas dopaminérgico, noradrenérgico e, mais recentemente, serotoninérgico, uma vez que dados de estudos neurobiológicos sugerem fortemente o envolvimento desses neurotransmissores na patofisiologia do transtorno.

Percebe-se que o estudo da etiologia do TDAH ainda está no início. Mesmo em relação à genética, intensamente investigada, os resultados são bastante contraditórios. Nenhum dos genes investigados pode ser considerado como necessário ou suficiente ao desenvolvimento do transtorno.

A tríade sintomatológica clássica da síndrome caracteriza-se por desatenção, hiperatividade e impulsividade. A descrição dos sintomas nas três dimensões pode ser visualizada da seguinte forma, segundo o DSM-IV (Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais):

Seis (ou mais) dos seguintes sintomas de desatenção devem persistir por pelo menos 6 meses, em grau mal-adaptativo e inconsistente com o nível de desenvolvimento:

a) frequentemente deixa de prestar atenção a detalhes ou comete erros por descuido em atividades escolares, de trabalho ou outras;

b) com frequência tem dificuldades para manter a atenção em tarefas ou atividades lúdicas;

c) com frequência parece não escutar quando lhe dirigem a palavra;

d) com frequência não segue instruções e não termina seus deveres escolares, tarefas domésticas ou deveres profissionais (não devido a comportamento de oposição ou incapacidade de compreender instruções);

e) com freqüência tem dificuldade para organizar tarefas e atividades;

f) com freqüência evita, antipatiza ou reluta a envolver-se em tarefas que exijam esforço mental constante (como tarefas escolares ou deveres de casa);

g) com freqüência perde coisas necessárias para tarefas ou atividades (por  exemplo, brinquedos, tarefas escolares, lápis, livros ou outros materiais);

h) é facilmente distraído por estímulos alheios às tarefas;

i) com freqüência apresenta esquecimento em atividades diárias;
Seis (ou mais) dos seguintes sintomas de hiperatividade persistiram por pelo menos 6 meses, em grau mal-adaptativo e inconsistente com o nível de desenvolvimento:

a) freqüentemente agita as mãos ou os pés ou se remexe na cadeira;

b) freqüentemente abandona sua cadeira em sala de aula ou outras situações nas quais se espera que permaneça sentado;

c) freqüentemente corre ou escala em demasia, em situações nas quais isso é inapropriado (em adolescentes e adultos, pode estar limitado a sensações subjetivas de inquietação);

d) com freqüência tem dificuldade para brincar ou se envolver silenciosamente em atividades de lazer;

e) está freqüentemente a mil ou muitas vezes age como se estivesse a todo vapor;

f) freqüentemente fala em demasia e impulsivamente;

g) freqüentemente dá respostas precipitadas antes de as perguntas terem sido completadas;

h) com freqüência tem dificuldade para aguardar sua vez;

i) freqüentemente interrompe ou se mete em assuntos de outros (por exemplo, intromete-se em conversas ou brincadeiras).

É importante salientar que a desatenção, a hiperatividade ou a impulsividade como sintomas isolados podem resultar de muitos problemas na vida de relação das crianças (com os pais e/ou colegas e amigos), de sistemas educacionais inadequados, ou podem estar associados a outros transtornos comumente encontrados na infância e adolescência. Portanto, para o diagnóstico do TDAH, é sempre necessário contextualizar os sintomas na história de vida da criança.

O tratamento do TDAH envolve uma abordagem múltipla, englobando intervenções psicossociais e psicofarmacológicas.

No âmbito das intervenções psicossociais, é fundamental que o terapeuta possa educar a família sobre o transtorno, através de informações claras e precisas. Muitas vezes, é necessário um programa de treinamento para os pais, com ênfase em intervenções comportamentais, a fim de que aprendam a manejar os sintomas dos filhos. É importante que eles conheçam as melhores estratégias para o auxílio de seus filhos na organização e no planejamento das atividades (por exemplo, essas crianças precisam de um ambiente silencioso, consistente e sem maiores estímulos visuais para estudar).

Intervenções no âmbito escolar também são importantes. Nesse sentido, idealmente, os professores deveriam ser orientados para a necessidade de uma sala de aula bem estruturada, com poucos alunos. Rotinas diárias consistentes e ambiente escolar previsível ajudam essas crianças a manter o controle emocional. Estratégias de ensino ativo, que incorporem a atividade física com o processo de aprendizagem, são fundamentais. As tarefas propostas não devem ser demasiadamente longas e necessitam ser explicadas passo a passo. É importante que o aluno com TDAH receba o máximo possível de atendimento individualizado. Ele deve ser colocado na primeira fila da sala de aula, próximo à professora e longe da janela, ou seja, em local onde ele tenha menor probabilidade de distrair-se. Muitas vezes, crianças com TDAH precisam de reforço de conteúdo em determinadas disciplinas. Isso acontece porque elas já apresentam lacunas no aprendizado no momento do diagnóstico, em função do TDAH. Outras vezes, é necessário um acompanhamento psicopedagógico centrado na forma do aprendizado, como, por exemplo, nos aspectos ligados à organização e ao planejamento do tempo e das atividades.

O tratamento reeducativo psicomotor pode estar indicado para melhorar o controle do movimento. Em relação às intervenções psicossociais centradas na criança ou no adolescente, a modalidade psicoterápica mais estudada e com maior evidência científica de eficácia para os sintomas centrais do transtorno (desatenção, hiperatividade, impulsividade), bem como para o manejo de sintomas comportamentais comumente associados (oposição, desafio, teimosia) é a cognitivo-comportamental, especialmente os tratamentos comportamentais. Dentre os tratamentos comportamentais, o treinamento parental parece ser a modalidade mais eficaz.

Caso você tenha contato com alunos ou crianças, ou você mesmo se perceba com comportamentos semelhantes aos descritos acima, procure um profissional de saúde (psiquiatra ou psicopedagogo/psicólogo) que possa lhe ajudar a descobrir os melhores caminhos para lidar com este problema.

(*) Frei Cleiton José Senem, ofm, além de diretor pedagógico da Escola do Seminário, é estudante do curso de Psicologia da Universidade do Sagrado Coração de Jesus, de Bauru.

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